Sobre o “blá, blá, blá, …” da educação

Finalmente!

Depois de alguns anos lendo e ouvindo todos os disparates sobre educação, li uma matéria excelente ! Foi na revista Escola Nova e se chama : “Discurso Vazio’. Coloco aqui o link para todos lerem. Acho que vamos ter que parar de repetir cegamente o que ouvimos. Vamos aprender o real significado das expressões usadas por nós mesmos e pelos pedagogos de plantão.

Clique aqui e leia: Discurso Vazio

Escola e seus Penduricalhos

Esse termo eu aprendi com a Professora Zaia Brandão ( doutora em Educação da PUC – RJ). Tive o enorme prazer de ouvi-la falar para um grupo de Pais e Professores e adorei o que essa Pedagoga veio nos contar. 

Logo, eu falando bem de uma Pedagoga, né ? Nem parece eu mesma! Mas a Professora Zaia não é uma destas pedagogas deslumbradas, que parece que nunca entraram na escola. Ela sabe exatamente o que tem dentro de uma escola. E em algum ponto do nosso bate -papo – como ela mesma disse que era- a Professora Zaia tocou neste assunto: Penduricalhos da Escola.

A nossa Escola brasileira, de uma maneira geral, está cheia destes “penduricalhos”. Se na sociedade existe um número enorme de acidente de trânsito, a escola tem que montar uma disciplina de educação no trânsito. Se existe um número enorme de meninas grávidas, a escola tem que falar de educação sexual ( em disciplina, horário e professor separados). E vamos nós … Enchemos a Escola de Penduricalhos.

Não é que sou contra em falar isso na Escola. Mas todas essas coisas tinham que ir conforme o currículo anda, não em uma disciplinas separadas do restante das matérias. Tudo isso deveria ser parte das várias disciplinas : Português, História, Ciências,… e porque não Matemática ? Mas não, criamos currículos, provas e horários específicos para isso. E os pais ainda se sentem bem, pois os meninos estão tendo aula de prevenção contra as drogas ( por exemplo) em um horários especiais. “Essa escola é forte”- dizem eles.

E o essencial não é bem trabalhado. É abafado pelos Penduricalhos. Contar, fazer as operações, ter um raciocínio lógico e crítico, falar, escrever e ler bem … Tudo isso fica meio que apagado. E essas competências são essencias para o entendimento de como evitar uma gravidez na adolescência, como evitar acidentes, como não se envolver com drogas, etc.

Sou de um tempo em que não havia e nem se cogitava em estabelecer na escola os penduricalhos. Mas se falava na Escola onde estudei em drogas, gravidez, doenças sexulamente transmissíveis, respeito as regras, respeito ao outro,… Por isso quando passou por minhas mãos um cigarro de baseado na Universidade, eu falei que estava fora. E agora ? Será que nossas crianças e jovens necessitam de algo tão sistematizado? Acho que não! Acho que eles precisam de papo, orientação da Escola e da Família. Porém , nada de Penduricalhos. 

Vamos expurgar das nossas Escolas os Penduricalhos?

Oportunidade de Ficar Calado!

Domingo passado, eu estava assistindo o programa do Fausto Silva. Sei que muitos irão pensar : “Mas … Faustão ? ” É isso, um programa para rir e não pensar em muita coisa.

Vale dizer que, nesta semana , as aulas recomeçaram para uma grande maioria das escolas do Rio de janeiro. O município do Rio começou nesta semana. Bem, ai vai a pérola do nosso Fausto. Ele me sai com essa: “Na segunda -feira, vamos ter o maior filme de terror de todos os tempos… A volta às aulas ! “

Isso tudo depois de ter falado da importância da contribuição do telespectador para o “Criança Esperança” , que ajuda as crianças pobres através do “esporte, da cultura e da educação”. O próprio Fausto Silva já tinha falado e reiterado que : “Só pela educação vamos mudar esse país.” E minutos depois… a pérola.

Vamos lá para o meu desabafo!

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Artigo – Tania Zagury

Eu adoro o que essa Professora/Pedagoga escreve! Alias é uma das poucas Pedagogas que eu respeito a opinião. A Tania Zagury tem o “pé no chão”. Não é destas pedadgogas deslumbradas com a nova, novíssima novidade pseudo- pedagógica.

Por essa razão, reproduzo um artigo dela escrito em Dezembro de 2006. Muito atual e parece que ela estava prevendo o que ia acontecer na Cidade do Rio de Janeiro em 2007 e em 2008 no que diz respeito a educação pública!

Leia e comente !

Só não previu quem planejou…


Prof. Tania Zagury
Dez/06

Ninguém fala em outra coisa: o Brasil do século XXI não sabe ler ou não entende o que mal lê. Todos estão pasmos. Menos os professores, posso afirmar. Eles, que nos últimos 30 anos de mudanças na área educacional lastimavelmente não foram chamados a dar o seu testemunho, nem lhes ouviram as dúvidas e as certezas. Quem está na frente de batalha, teria dito: isso não vai dar certo…

Para quem não sabe, o método fônico, que começa a ser apresentado como ‘novidade’, já se usava antes, quando comecei a lecionar. O professor escolhia a cartilha e ensinava a partir do que sabia fazer. Os professores que, da noite para o dia, passaram a alfabetizar nos moldes ideovisuais, que Emília Ferrero preconiza, o fizeram determinados a acertar, ainda que não estivessem convictos de que era o melhor para seus alunos. Porque, apesar do tanto que se fala em gestão democrática, os docentes continuam meros executores.

Não precisamos de reformas de ensino no Brasil, menos ainda daquelas que alteram apenas nomenclaturas ou que pseudo-adotam o que, de repente, alguém determinou que é a nova ‘fórmula mágica’ de ensinar.

Precisamos avaliar o que ocorre nas escolas, ouvindo cada professor sobre as dificuldades e as necessidades, para então buscar saná-las. Precisamos respeitar quem faz, quem operacionaliza. O melhor método é o que funciona. Nossas crianças e jovens precisam de resultados de verdade já.

Fomos alfabetizados pelo bê-á-bá e, coisa estranha, sabemos ler! Aprendi, quando cursava o antigo Ensino Normal (há mais de trinta anos), que a criança aprende do que lhe é próximo para o que é distante; do simples para o complexo; do concreto para o abstrato. Por isso usávamos o método fônico, que atende a essas características.

De repente, nos disseram que o que aprendêramos estava errado. Então, como é que nossos alunos aprendiam? Eu, e milhares de outros professores, já tínhamos alfabetizado tantos, e nossos alunos liam, podem acreditar. Mais: entendiam o que liam. E faziam contas e resolviam problemas.

Só quem esteve todos esses anos em sala de aula sabe o que se sofre tentando conseguir o impossível. Porque só é possível bem utilizar o construtivismo em turmas muito pequenas, nas quais o professor faz um acompanhamento individual.

A mudança, apenas metodológica, deixou o professor em sala de aula com os mesmos ínfimos recursos da escola pública e a pletora de alunos carentes de tudo.

Sou a favor do progresso e da mudança, desde que alicerçados em estudos e acompanhamento sistemáticos, que os embasem. Tomam-se medidas caras e aleatórias: computadores para parte das escolas públicas, por exemplo. O computador chegou, mas os professores têm outras coisas para fazer – antes do caviar, o ‘feijão-com-arroz’. Se tivessem ouvido os docentes, teriam sabido que precisavam mesmo era de ‘menos alunos nas turmas e mais horas de aula’.

Outro grave baque na qualidade do ensino se deu com o endeusamento da escola não-diretiva, transplantada da psicanálise para a sala de aula. Corrigir o aluno passou a ‘dar trauma’. Riscar em vermelho os erros, nem pensar. Provas revelaram-se intervenções ameaçadoras. Memorizar qualquer coisa tornou-se feio. Herança que o rogerianismo nos legou: não se ensina nada a ninguém.E o resultado aí está.

Além disso, hoje, cada problema social que surge vira tema transversal do currículo: educação sexual, cidadania, ética, educação para o trânsito, educação ambiental etc. Tudo bem, mas deram condições ao professor para fazer tudo isso e ainda ensinar a ler, escrever e interpretar?

O fracasso tinha que ocorrer. Era previsível. Com tantos encargos e uma metodologia que não podem executar, os professores teriam que, no mínimo, receber treinamento permanente, antes de se executarem os novos modelos (e, claro, salários incrementados na proporção das tarefas).

O pior aconteceu depois: quando tudo já ia mal, adotou-se a progressão continuada e o ensino por ciclos – para dar vazão à demanda de matrículas, agravando terrivelmente a questão da qualidade.

A moda do momento é a ‘inclusão’ de alunos com necessidades especiais. Ótimo. Politicamente corretíssimo. Mas a verdadeira inclusão tem que começar pela melhora da qualidade do ensino de toda a população.

Temos que deter o processo atual, no qual o aluno termina o ensino fundamental – quando termina – quase tal qual estava quando entrou. Essa é a verdadeira exclusão: de posse do seu diploma, mas com precária aprendizagem, o jovem, especialmente o de classe social menos favorecida, que tanto precisa de trabalho, é ejetado do mercado de trabalho sem dó nem piedade. Afinal, até concurso para gari exige que se saiba ler e escrever direito!

Ouçamos quem executa. Eles nos dirão como evitar as tempestades do desencanto…

em http://www.taniazagury.com.br/artigos.asp?cdc=3008

Cansei de Ouvir : “Todo mundo faz isso!”

Que desagradável ! Não sei se eu sou muito politicamente correta ou se o nosso país não tem ética nenhuma.

Presenciei dois casos nesta semana que acabaram da mesma forma e isso não me sai da cabeça. O Primeiro caso foi assim: Continue reading