Borboletas, Lagartas e Metamorfoses

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses

Rubem Alves

Hoje, participei de mais um longo encontro de troca de experiências entre Pedagogos e Professores. Sofrível! Nem sei, como começar… passei a manhã calada, em silêncio, ouvindo, … Não que me tenha sido vetado o direito de falar, mas têm situações em que o silêncio é a melhor forma de se expressar. Tentei, juro para vocês, que tentei tirar algo de bom do encontro.

Para não dizer que sai de mãos vazias, colhi algumas poucas boas idéias. Mas a maioria das poucas idéias que troquei, foi com os Professores na hora do café. Ou as idéias passadas pelos Pedagogos que estão atuantes em sala de aula ( afffff… só uma Palestrante!).

De resto foi só uma sopa de letrinhas… Um blá, blá, blá,… sem sentido. Um culto ao “não fazer nada pois o aluno aprende assim mesmo”. Já explico: agora a moda da nossa Educação combalida é ver o que a turma quer aprender e … ensinar. Não é partir do ponto em que os alunos estão para chegar ao objetivo traçado. Não! É perguntar mesmo: “O que vamos aprender hoje?” “O que querem aprender?” E mesmo que a turma queira aprender sobre mecânica quântica… ensinar .

Isso para mim é transferir o ônus e a responsabilidade do aprendizado, totalmente e unicamente, para o garoto de 6, 7, 8, 9, 10 … 16, 17 anos ! Sabemos que se a gente não encaminhar o que eles irão aprender… nada será ensinado!

Mas me calo! No silêncio desta manhã, tento fazer a metamorfose. Transformar a lagarta em borboleta. E depois vem os sábios de plantão, com toda a sua experiência metafísica, falar que tudo que a gente faz é passado! Já foi.. está ultrapassado… Ora, bombas ! Como ela sabe o que eu faço , se eu nem a conheço, nunca a vi, … “Quem és tu, tatu? ” E vamos nós : 9 horas da manhã, 10 , 10 e meia… Hora do Café ! Luz do dia, ar puro, papos sobre … sala de aula. A Metamorfose entra em crise !

Todos ali têm a mesma visão e sensação: “Caramba, eu ensino isso daquela maneira ultrapassada… e meu aluno aprende!!!! Não sou eu quem diz que ele aprende… são os concursos para outras escolas.” E ai… “Lagarta, você vai ou não vai virar borboleta!”- penso, eu e me calo.

Mais algumas horas, mais bá, blá, blá… Pura verborragia , puro papo furado… Todos os jargões de pedagogês jogados para fora: “Eu enquanto educadora…” “A nível de…” “Releituras…” De repente…””Provocar …” E eu ali… pronta para virar “braboleta”.

Então, alguém acorda do sonho ( ou será pesadelo?) e me sai com o óbvio diante da velha história que ensinar Pitágoras está ultrapassado. A Professora se vira e fala: “Mas na hora de falar em triângulos usando uma gravura de Debret, podemos ensinar Pitágoras, não é ? ” E o cidadão pedagogo me vem com essa : “Ah, Professorinha … o que Pitágoras tem com isso?” E me passa pela cabeça Mario Quintana:

Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama:
“Olha uma borboleta!”. O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante da vida, murmura:
– Ah! sim, um lepidóptero…

Lá se vai a minha tentativa de fazer a minha metamorfose e deixar que um pedagogo transforme a minha lagarta – aula em uma borboleta – aula. E minhas saudações aos Poetas – Professores, que viram naquele lepitótero uma … linda e verdadeira borboleta!

Executores e Pensadores

Acho que a nossa profissão é uma das poucas em que existe uma clara e maldosa dicotomia: existem aqueles que são os pensadores , os “pedagogos de gabinetes”. E do outro lado temos os executores, os Professores de sala de aula.

Os pensadores pensam no que os executores irão executar. Os pensadores são os que sabem com muita sapiência o que dará certo ou não em sala de aula. Cabe aos executores fazerem, sem pensar muito ! Somos uma classe estranha mesmo.

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Para ler e pensar!

Gosto bastante de Rubem Alves. Embora algumas de suas idéias sejam bem distantes da realidade vivida por nós, Professsores, ele sabe abordar alguns assuntos com uma simplicidade linda !

Leia essa parábola me conte o que achou ! Na verdade trabalhei essa parábola em um encontro que tive com Professores, onde tratei de Informática Educativa. Foi show!

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Dinâmica – Para trabalhar Pré- Conceitos

Esta Dinâmica é para o dia em que você está com bastante energia. Pois rende muito papo e muita discursão.

O objetivo é desmistificar aquelas velhas máximas de nossos alunos: “Menino não brinca de boneca “. “Menina não joga futebol”. “Homem não cuida da beleza”. E vai ai por diante…

Repito :

Não sou psicóloga e uso essas dinâmicas como uma maneira lúdica de mostrar outras faces da mesma moeda. Acredito que fazendo, pensando e discutindo; o nosso aluno aprende mais. Também, acredito que a Escola tem que ser um lugar onde devemos e podemos mudar a realidade vivida. É como um trabalho de formiguinha : cada um faz um pouco, modifica dali ou daqui e dá certo.

Vamos à Dinâmica?

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Artigo – Tania Zagury

Eu adoro o que essa Professora/Pedagoga escreve! Alias é uma das poucas Pedagogas que eu respeito a opinião. A Tania Zagury tem o “pé no chão”. Não é destas pedadgogas deslumbradas com a nova, novíssima novidade pseudo- pedagógica.

Por essa razão, reproduzo um artigo dela escrito em Dezembro de 2006. Muito atual e parece que ela estava prevendo o que ia acontecer na Cidade do Rio de Janeiro em 2007 e em 2008 no que diz respeito a educação pública!

Leia e comente !

Só não previu quem planejou…


Prof. Tania Zagury
Dez/06

Ninguém fala em outra coisa: o Brasil do século XXI não sabe ler ou não entende o que mal lê. Todos estão pasmos. Menos os professores, posso afirmar. Eles, que nos últimos 30 anos de mudanças na área educacional lastimavelmente não foram chamados a dar o seu testemunho, nem lhes ouviram as dúvidas e as certezas. Quem está na frente de batalha, teria dito: isso não vai dar certo…

Para quem não sabe, o método fônico, que começa a ser apresentado como ‘novidade’, já se usava antes, quando comecei a lecionar. O professor escolhia a cartilha e ensinava a partir do que sabia fazer. Os professores que, da noite para o dia, passaram a alfabetizar nos moldes ideovisuais, que Emília Ferrero preconiza, o fizeram determinados a acertar, ainda que não estivessem convictos de que era o melhor para seus alunos. Porque, apesar do tanto que se fala em gestão democrática, os docentes continuam meros executores.

Não precisamos de reformas de ensino no Brasil, menos ainda daquelas que alteram apenas nomenclaturas ou que pseudo-adotam o que, de repente, alguém determinou que é a nova ‘fórmula mágica’ de ensinar.

Precisamos avaliar o que ocorre nas escolas, ouvindo cada professor sobre as dificuldades e as necessidades, para então buscar saná-las. Precisamos respeitar quem faz, quem operacionaliza. O melhor método é o que funciona. Nossas crianças e jovens precisam de resultados de verdade já.

Fomos alfabetizados pelo bê-á-bá e, coisa estranha, sabemos ler! Aprendi, quando cursava o antigo Ensino Normal (há mais de trinta anos), que a criança aprende do que lhe é próximo para o que é distante; do simples para o complexo; do concreto para o abstrato. Por isso usávamos o método fônico, que atende a essas características.

De repente, nos disseram que o que aprendêramos estava errado. Então, como é que nossos alunos aprendiam? Eu, e milhares de outros professores, já tínhamos alfabetizado tantos, e nossos alunos liam, podem acreditar. Mais: entendiam o que liam. E faziam contas e resolviam problemas.

Só quem esteve todos esses anos em sala de aula sabe o que se sofre tentando conseguir o impossível. Porque só é possível bem utilizar o construtivismo em turmas muito pequenas, nas quais o professor faz um acompanhamento individual.

A mudança, apenas metodológica, deixou o professor em sala de aula com os mesmos ínfimos recursos da escola pública e a pletora de alunos carentes de tudo.

Sou a favor do progresso e da mudança, desde que alicerçados em estudos e acompanhamento sistemáticos, que os embasem. Tomam-se medidas caras e aleatórias: computadores para parte das escolas públicas, por exemplo. O computador chegou, mas os professores têm outras coisas para fazer – antes do caviar, o ‘feijão-com-arroz’. Se tivessem ouvido os docentes, teriam sabido que precisavam mesmo era de ‘menos alunos nas turmas e mais horas de aula’.

Outro grave baque na qualidade do ensino se deu com o endeusamento da escola não-diretiva, transplantada da psicanálise para a sala de aula. Corrigir o aluno passou a ‘dar trauma’. Riscar em vermelho os erros, nem pensar. Provas revelaram-se intervenções ameaçadoras. Memorizar qualquer coisa tornou-se feio. Herança que o rogerianismo nos legou: não se ensina nada a ninguém.E o resultado aí está.

Além disso, hoje, cada problema social que surge vira tema transversal do currículo: educação sexual, cidadania, ética, educação para o trânsito, educação ambiental etc. Tudo bem, mas deram condições ao professor para fazer tudo isso e ainda ensinar a ler, escrever e interpretar?

O fracasso tinha que ocorrer. Era previsível. Com tantos encargos e uma metodologia que não podem executar, os professores teriam que, no mínimo, receber treinamento permanente, antes de se executarem os novos modelos (e, claro, salários incrementados na proporção das tarefas).

O pior aconteceu depois: quando tudo já ia mal, adotou-se a progressão continuada e o ensino por ciclos – para dar vazão à demanda de matrículas, agravando terrivelmente a questão da qualidade.

A moda do momento é a ‘inclusão’ de alunos com necessidades especiais. Ótimo. Politicamente corretíssimo. Mas a verdadeira inclusão tem que começar pela melhora da qualidade do ensino de toda a população.

Temos que deter o processo atual, no qual o aluno termina o ensino fundamental – quando termina – quase tal qual estava quando entrou. Essa é a verdadeira exclusão: de posse do seu diploma, mas com precária aprendizagem, o jovem, especialmente o de classe social menos favorecida, que tanto precisa de trabalho, é ejetado do mercado de trabalho sem dó nem piedade. Afinal, até concurso para gari exige que se saiba ler e escrever direito!

Ouçamos quem executa. Eles nos dirão como evitar as tempestades do desencanto…

em http://www.taniazagury.com.br/artigos.asp?cdc=3008