Jul
25
Borboletas, Lagartas e Metamorfoses
Julho 25, 2008 | Tagged metamorfose, pedagogês, pensamentos | 3 Comentários
Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses
Rubem Alves
Hoje, participei de mais um longo encontro de troca de experiências entre Pedagogos e Professores. Sofrível! Nem sei, como começar… passei a manhã calada, em silêncio, ouvindo, … Não que me tenha sido vetado o direito de falar, mas têm situações em que o silêncio é a melhor forma de se expressar. Tentei, juro para vocês, que tentei tirar algo de bom do encontro.
Para não dizer que sai de mãos vazias, colhi algumas poucas boas idéias. Mas a maioria das poucas idéias que troquei, foi com os Professores na hora do café. Ou as idéias passadas pelos Pedagogos que estão atuantes em sala de aula ( afffff… só uma Palestrante!).
De resto foi só uma sopa de letrinhas… Um blá, blá, blá,… sem sentido. Um culto ao “não fazer nada pois o aluno aprende assim mesmo”. Já explico: agora a moda da nossa Educação combalida é ver o que a turma quer aprender e … ensinar. Não é partir do ponto em que os alunos estão para chegar ao objetivo traçado. Não! É perguntar mesmo: “O que vamos aprender hoje?” “O que querem aprender?” E mesmo que a turma queira aprender sobre mecânica quântica… ensinar .
Isso para mim é transferir o ônus e a responsabilidade do aprendizado, totalmente e unicamente, para o garoto de 6, 7, 8, 9, 10 … 16, 17 anos ! Sabemos que se a gente não encaminhar o que eles irão aprender… nada será ensinado!
Mas me calo! No silêncio desta manhã, tento fazer a metamorfose. Transformar a lagarta em borboleta. E depois vem os sábios de plantão, com toda a sua experiência metafísica, falar que tudo que a gente faz é passado! Já foi.. está ultrapassado… Ora, bombas ! Como ela sabe o que eu faço , se eu nem a conheço, nunca a vi, … “Quem és tu, tatu? ” E vamos nós : 9 horas da manhã, 10 , 10 e meia… Hora do Café ! Luz do dia, ar puro, papos sobre … sala de aula. A Metamorfose entra em crise !
Todos ali têm a mesma visão e sensação: “Caramba, eu ensino isso daquela maneira ultrapassada… e meu aluno aprende!!!! Não sou eu quem diz que ele aprende… são os concursos para outras escolas.” E ai… “Lagarta, você vai ou não vai virar borboleta!”- penso, eu e me calo.
Mais algumas horas, mais bá, blá, blá… Pura verborragia , puro papo furado… Todos os jargões de pedagogês jogados para fora: “Eu enquanto educadora…” “A nível de…” “Releituras…” De repente…”"Provocar …” E eu ali… pronta para virar “braboleta”.
Então, alguém acorda do sonho ( ou será pesadelo?) e me sai com o óbvio diante da velha história que ensinar Pitágoras está ultrapassado. A Professora se vira e fala: “Mas na hora de falar em triângulos usando uma gravura de Debret, podemos ensinar Pitágoras, não é ? ” E o cidadão pedagogo me vem com essa : “Ah, Professorinha … o que Pitágoras tem com isso?” E me passa pela cabeça Mario Quintana:
Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama:
“Olha uma borboleta!”. O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante da vida, murmura:
- Ah! sim, um lepidóptero…
Lá se vai a minha tentativa de fazer a minha metamorfose e deixar que um pedagogo transforme a minha lagarta – aula em uma borboleta – aula. E minhas saudações aos Poetas – Professores, que viram naquele lepitótero uma … linda e verdadeira borboleta!![]()
Comments
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Ei Andréa, como vai?
Tenho convivido mais com essa idéia de um ambiente estruturado. Com a intervenção de pedagogos no planejamento das tarefas de aprendizagem.
Confesso que não vejo muita diferença entre meus dias de operário em que todas as ordens são orientadas no sentido da “eficiência” das tarefas.
É a velha lógica maquiavélica dos fins que justificam os meios, ou a popular gestão de resultados, aplicada ao ambiente educacional.
Acho uma pena, vejo grande inteligência na equipe que trabalho. Instrutores super engajados, inteligentes e inovadores, mas todo esse vigor se perde no excesso de pragmatismo, que no fim, piora em muito a qualidade do processo ensino-aprendizagem…
A idéia da gestão participativa deve sair do discurso. Talvez pessoas como você tornam-se arredias por se ver nesse intervencionismo sem propósito. Isso quando a coisa não descamba para o delírio de juntar uma equipe de professores para promover uma verdadeira lavagem cerebral em nome daquele pragmatismo mencionado logo acima.
Ora, querer lavar o cérebro de pessoas tão críticas quanto professores chega a ser cômico. É muito tempo perdido em falatórios que cansa mesmo.
Tenho esperanças Andréa, temos que fazer a revolução silenciosa, eu quero falar mais disso. Tenho vivido muito essa prática no meu cotidiano e no futuro quero falar mais da revolução silicenciosa…
Abraços…
Luiz
Oi, Luiz ! Como sempre a sua participação só vem para somar. Acho que me tornei arredia, porque já vi esse filme muitas vezes. Antigamente, eu ia a essas reuniões muito disposta a ouvir e a entender. Mas depois de alguns anos de reuniões onde o pedagogo tem a razão e você, Professor, tem a razão se concordar com ele … Bem , me tornei arredia. Quando falam em reunião deste tipo, já fico de mau humor. Prefiro dar aulas, do que ouvir esse blá, blá, blá…
Outra coisa é a lavagem cerebral. É o que de fato ocorre. Os Pedagogos querem por força das palavras te convencer que aquela idéia vai dar certo. Às vezes dá certo sim, ai não há necessidade de lavagem cerebral. Mas quando por experiência, vejo que não vai dar certo, e, tentam a lavagem… ai eu viro bicho! Até mordo se precisar ! rsrsrsrsrsrsrsr Não me tartem como incapaz, isso eu não sou!
Essa revolução silenciosa que você fala, já está ocorrendo. Na Internet, conheço muitos Grupos, Listas ou Blogs que estão colacando a boca no trombone. E acho que é por ai. Temos que falar o óbvio, temos que mostrar que o Rei está nu e que os Professores não estão mais dispostos a engolir tudo que lhe é servido! Somos uma classe pensante, sim. E vejo essa revolução silenciosa ocorrer aqui e ali aos poucos. Tenho muita esperança que consigamos mudar essa situação na Educação Brasileira . Vamos falar mais então sobre essa Revolução ? Beijos parceiro e obrigada!