Executores e Pensadores
Acho que a nossa profissão é uma das poucas em que existe uma clara e maldosa dicotomia: existem aqueles que são os pensadores , os “pedagogos de gabinetes”. E do outro lado temos os executores, os Professores de sala de aula.
Os pensadores pensam no que os executores irão executar. Os pensadores são os que sabem com muita sapiência o que dará certo ou não em sala de aula. Cabe aos executores fazerem, sem pensar muito ! Somos uma classe estranha mesmo.
Veja no caso dos Ciclos de Formação, aqui na cidade do Rio de Janeiro! Os pensadores, guardados nos seu gabinetes com o ar condicionado e sem ter idéia da realidade lá fora, implantaram os Ciclos nas Escolas Municipais do Rio. Não perceberam ou não quiseram perceber que a Escola não estava preparada para tal. Os poucos executores, que participaram da capacitação promovida pelo município , ouviram dos capacitadores que conheciam a teoria e que a prática nas escolas, não sabiam como iria ser! De novo a dicotomia: teoria e prática, pensar e executar,…
As escolas continuavam e continuam cheias, com capacidade além do que se pode. Os professores continuam com sua jornada maluca. A carga horária ao invés de ser aumentada, foi diminuida em Português e Matemática. No lugar de darmos atenção mais individualizada, somos obrigados a massificar a atenção. O Ciclo está capenga!
Mas os pensadores pensaram. E os executores, tal qual um malabarista, tentam conciliar o que foi proposto e a realidade que lhes é conhecida. Por que não perguntaram aos Professores o que eles achavam da nova e brilhante proposta? Provavelmente, porque a resposta não queria ser ouvida. Estamos até meio desconfiados no que se apresenta de novo, pois a cada 4 anos somos jogados em uma nova fórmula mágica, que os pensadores juram: “Dará certo!”
Agora, estamos ouvindo que não soubemos executar direito. Somos inundados de novas e tenebrosas frases de efeito: “O Professor tem que ser um mediador!” “Temos que provocar o aluno.” “Tem que se ser facilitador das novas pespectivas educativas!” Ora, não me venham com palavrórios sem sentido!!!
Como mediar, sem termos o mínimo de condições para isso ? Experimente, senhor pensador, mediar uma construção de conceito novo, como inércia, somente com quadro, giz , saliva e suor! Em uma sala lotada, onde deveria ter 30 alunos e tem 45!
Como provocar um aluno que sabe que não importa o que faça, receberá seu diploma? Como provocar a vontade de aprender, se a sociedade vê a escola pública como um depósito de meninos, incapazes de aprender? ( Os meus alunos são capazes sim!) Vamos facilitar, o quê se já nos foi imposto um método, uma falácia de idéias sem sentido ? Como facilitar, se temos que preencher um diário “elefante branco” sobre cada aluno, o que nos toma muito tempo da frugal carga horária que temos?
O pior é ver que esses meninos aprendem, se ensinados. O pior é que somos meros execudores e, muitas das vezes, confundidos com aqueles que mal poderiam estar no portão da escola, que dirá dando aulas. Estamos fazendo um genocídio intelectual. E enquanto tiver como, eu vou reclamar!
Quando os responsáveis pela educação pública deste país verem que o Professor pode ser pensador, mediador e executor da sua prátca; estaremos no caminho certo! Enquanto isso … Viva a bolsa coitatinho, a premiação por bom desempenho e as cotas!

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Uau ! Há 24 anos atrás fiz minha escolha vendo a educação desta forma e pelo visto nada mudou ainda, principalmente na educação pública. Optei por ser “executora”, gritei e ralei muito, mas a idade e a vida vai nos amansando, porém, o germe fica aqui dentro, não morre. A esperança sempre da mudança está em ouvir e ver a galera que está chegando agora, com muita força e aos poucos, virar essa situação.
Os executores superarão os desmandos com coerência, você e seu trabalho são exemplos disso, amiga! Muita força pra você!!