e a reorganização do tempo escolar.

Considero-me uma pessoa medianamente inteligente, mas por vezes não entendo certas coisas. Vamos a elas?

Sempre acreditei que cada aluno tem um tempo, só dele, para aprender. Por isso, não podemos esperar que o menino X aprenda da mesma maneira e no mesmo momento que o menino Y. Imaginando que ambos têm a mesma idade e estão na mesma turma. Ponto pacífico , para qualquer Professor com a mínima prática.

Mas com essa ventania chamada Ciclo de Formação, isso apareceu como uma grande novidade. Agora, dizem os especialistas – os que pensam em educação- os alunos têm três anos para aprender. “Vamos assim respeitar o rítmo de cada um, fechar ciclos de formação,… ” e blá, blá, blá!

Então, vamos para a parte que não ficou clara. Se o menino tem três anos para aprender, estamos reorganizando o seu tempo.Estamos sempre reavaliando o que ele sabe para lançar novos conceitos e construir novos saberes . Qual é a diferença disto para as séries ? Cada um de nós, Professores, sabemos que nunca podemos partir do nada para ensinar. Para isso, fazemos um diagnóstico inicial no início do ano. Partindo daquilo que o aluno lhe trás, você fará o planejamento do resto do ano. Então, qual é a diferença ?

Ou a diferença está nos objetivos ? Ao invés de termos um conjunto de objetivos para aquele ano letivo; teremos um conjunto maior ou menor para o Ciclo de três anos?

Se o conjunto ficou maior, não corremos o risco de nos perdermos ? Sempre aprendi que é melhor traçar poucos objetivos e ir avaliando aos poucos. Assim, teremos tempo para refazer o que ficou mal feito. Ou será que isso saiu de moda ? E se o conjunto de objetivos mingou ,… Bom, ai o caso é mais sério!

Estamos em um paradoxo: Em um mundo em que temos mais condições de ensinar e mais o que ensinar… diminuimos os nossos objetivos?

Mais uma pergunta que não quer calar: O que ocorre com o menino que, por ventura, não deu conta dos objetivos de um ciclo? Vai voltar três anos ? Ou tudo será como antes no “quartel de Abrantes ?”

Vejam bem são dúvidas comuns, minhas e de muitos colegas meus ! Não me venham com blá,blá,blá,… pseudo- pedagógico, do tipo: “Temos que repensar a nossa prática ! Abrir mão do conceito de série ou aprovação!” Isso eu já ouvi/li!

O que vejo, aqui na Cidade do Rio de Janeiro, é uma mudança de nomes, discursos e até de algumas práticas. Mas o aprendizado anda de mal a pior! O que vejo é que não me adianta chamar de série, ciclo ou ano . Que se danem as denominações! O que me interessa é se o aluno saiu de sala de aula com algo mais na cabeça do que o seu boné !


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