Rio tem 205 mil alunos que precisam de reforço escolar em matemática

Secretaria divulgou que há 28.879 analfabetos funcionais.
Novos 1.145 professores da rede foram apresentados.

Ronaldo Pelli Do G1, no Rio

 

A secretária de Educação do Rio, Cláudia Costin, detalhou nesta terça-feira (31) a situação dos alunos das escolas públicas do município que fizeram as provas de avaliação de conhecimento de português e matemática em março.

 

Dos 511 mil alunos avaliados, 109.814 vão fazer o reforço em português e 205.636, ou seja, metade dos alunos que fizeram a prova, em matemática.

 

Há alunos, porém, que vão fazer ambas as aulas, mas a Secretaria não soube divulgar o número exato. Anteriormente, a Secretaria havia informado também que 460.453 haviam feito a prova, desconsiderando os alunos do 2º ano do ensino básico.

 

Analfabetos funcionais

A secretaria também avaliou em outra prova a capacidade de leitura dos alunos de 4º a 6º ano do Ensino Fundamental. Dos 211.105 que fizeram a prova, 28.879 foram considerados analfabetos funcionais.

Dos alunos considerados analfabetos funcionais, 11.078 estão no sexto ano, 7.058, no quinto e 10.743, no quarto.

( Para ler na íntegra , clique aqui)

Não preciso nem falar que isso é uma covardia com os meninos!

 

 

O dia foi 19 de março de 2009 e o lugar é qualquer Escola do Município do Rio de Janeiro. 

As salas de aula lotadas, alunos e professores ansiosos. Pela primeira vez, em muitos anos vejo alguma preocupação e seriedade em alguma avaliação feita dentro de uma escola da rede. 

Os alunos fazem a prova e os professores recolhem. A prova ( ou Provão como foi apelidada) foi corrigida e tabulada. Alguns meninos foram muito bem ( alívio). Outros nem souberam escrever seu nome ( pânico).

Some-se neste cenário, a parte política-partidária que não aceito. O SEPE ( sindicato dos professores) criou uma campanha : Vestir no dia do Provão camisas pretas em protesto a falta de autonomia em sala de aula, a correção do provão,… entre outros. Agora, estão falando em greve!

Que vergonha ! Algumas perguntas ficam no ar:

Por que ninguém ficou de preto quando viu os meninos chegarem ao 6o ano (5a série) sem saber escrever seu próprio nome ? Será que é normal! Será que não importa! O que importa é o salário e a suposta autonomia ? ( Não que o salário não importe, mas não se preocupar com esses casos é covardia).

Que autonomia pedagógica é essa ? É essa autonomia que permitiu alguns professores fingirem que estão ensinando. Encabelando o aluno, permitindo que ele passe sem aprender .. é essa autonomia que queremos ? Ou é melhor ter alguma orientação? Eu não perdi a minha autonomia !

Onde estavam os que querem se vestir de preto, quando houve a aprovação automática na rede carioca ? Essa eu sei: uma parte destes ” professores” ( alguns eu conheço e nunca pisaram em uma sala de aula) estavam no governo passado e eram a favor da aprovação automática. E agora ? São contra o óbvio: que o aluno aprenda!

Isso é uma piada ! Piada de mal gosto, pois os alunos são os perdedores. São eles que estão agora no 9o ano ( 8a série) totalmente analfabetos funcionais – leem e não entendem o que leram. São os pais deles que pediram para que os filhos permanecessem  nos anos que estavam,e, não foram atendidos. São esses que perdem! São eles que deveriam estar de preto.

O luto deveria ser pelo analfabeto funcional, pelo menino que chega em um 9o ano sem saber o que é porcentagem, pela criança que não sabe copiar o nome de sua escola no quadro e pelos pais que veem isso tudo sem ao menos poder fazer nada.

Me revolta isso tudo. E espero que afinal, consigamos fazer algo por esses meninos. A minha parte estou fazendo! Espero que a Secretaria Municipal de Eucação faça a sua parte e não perca de vista a ideia de recuperar essa garotada!

 

Não sei quem se lembra , mas em 2007 , a Rede Municipal de Educção carioca foi assolada por um processo de Aprovação Automática ( travestida de Ciclos de Formação). Na época, eu fiz um paralelo entre a avaliação e o termômetro. Disse que estavam colocando a culpa da febre no termômetro e para facilitar as coisas o termômetro foi abolido. Ninguém teve febre, ninguém tinha como ser devidamente diagnosticado e todos eram promovidos.

Vida nova. Já aviso de antemão que sou contra a reprovação por ela própria. A reprovação é o último recurso depois de todas as tentativas possíveis e impossíveis para recuperar o aluno. Também aviso aos desavisados que não acho que tudo venah a ser resolvido por essa nova secretaria de educação. Mas vejo uma luz no fim do túnel.

Primeiro, estão falando o óbvio. E o óbvio tem que ser dito. Aluno que não sabe ler e escrever não consegue aprender nenhuma disciplina. Aluno que não sabe resolver problemas com as 4 operações, nem tem idéia de como ler um gráfico ou uma tabela de dupla entrada e nem sabe o que é porcentagem; não pode aprender coisas mais complexas. E é nesse momento que estamos. Vamos graduar o termômetro. Vamos saber quem sabe e quem não sabe, para dar a assistência a quem não sabe.

Não adianta eu querer ensinar um cálculo de deslocamento, se o menino mal sabe somar. E não é culpa do menino! Esse aluno não tem que pagar pelo descompromisso de muitos. Tem que se ensinar. E ai sim ir adiante. Nestes dias estamos revendo ( eu falei em revisão) o que o aluno tinha que estar sabendo naquele ano. Ele será avaliado com aquele conteúdo. E ai.. tomaremos as decisões. Fácil? Nada disso ! Complicadíssimo.

O nosso termômetro está mal regulado. Temos que “azeitar o termômetro”. Temos que ver até onde podemos considerar normal ou uma febre alta. Temos que rever a nossa caixa de remédios, para não matar o paciente com os remédios errados ou em dose muito acima do normal. Mas temos de novo um termômetro, um norte e uma diretriz.

O blá, blá, blá parece que ficou esquecido. Até as mesmas pessoas, que falavam tão bem dos Ciclos, estão fazendo  outro discurso. E eu estou aliviada, porque posso fazer o meu trabalho em paz.

Balanço final.

Tenho esse hábito : faço um avaliação do que fiz durante o ano. E, na medida do possível, acho que o ano de 2008 foi bom.

Os alunos do município continuaram passando de ano, sem ao menos participarem de algumas aulas. Isso foi o ponto desgastante, aprovar aluno que mal vem a sua aula… é demais! A lei permite isso, basta um aluno assistir um tempo de aula no dia, que a prescença se dá no dia todo! Bom, mas isso vai mudar ano que vem. Pelas promessas da nova Secretária Municipal de Educação, poderemos voltar a reprovar.

Então, uma luz no fim do túnel: os ciclos de formação acabaram. Não sou a favor da reprovação pura e simplemente. Acho que qualquer aluno tem que ter todas as chances de aprender. Talvez, por inúmeros motivos, esse aluno não cumpra todos os seus objetivos. Por vezes, esse menino vem carregando dificuldades que têm que ser supridas antes, para então aprender o que lhe é traçado naquele ano. Para esse aluno, a reprovação seria uma catástrofe. 

Por outro lado, aprovar indiscriminadamente … é uma outra catástrofe. Se o aluno não assiste a sua aula, você nem terá a chance de tentar suprir nada. E ai está o perigo, aprova-se para fazer bonito na estatística ou elimina-se para esse aluno não aparecer na estatística! E o menino vira um número, mais um … não um ser que tem uma identidade própria e por isso deveria ser respeitado!

Neste ano, mais uma coisa legal ( um desafio) aconteceu : Fui chamada pelo Colégio don Quixote, onde estudei, para dar aulas. Nossa ! Quanto orgulho e um enorme desafio. Dar aulas sob a batuta de antigos Professores… é muito legal. Sou conhecida lá como Dedéia e não como a Professora Andréa. E isso é bom pois já tenho uma intimidade com as pessoas que não é fácil conquistar. Por outro lado, sou a Professora antiga/ nova : antiga por ser ex aluna e nova por ser nova como Professora na Escola. 

“Tô” aprendendo bastante lá e me reciclando muito. Afinal: tenho que dar matéria. E no Município, cada vez mais, a gente tem dado cada vez menos conteúdo. E no Colégio don Quixote estou sendo obrigada a “restudar”  muitas coisas.

Por fim, muito orgulho : alguns de meus alunos do Município se deram super bem nos concursos em escolas com CEFET e Pedro II ! Isso mostra que com um pouco de trabalho, nossos alunos conseguem. Não há necessidade de serem tratados como coitados. São capazes ! E bem capazes .

Por fim vou ficar com uma frase que gostei muito : 

O covarde nunca começa, o fracassado nunca termina, o vencedor nunca desiste.

(Norman Vicent Peale)

Sejamos vencedores!

Montei um pequeno vídeo com uma parte de meu trabalho na Sala de Leitura da minha Escola :

keep looking »